Porque as eleições não se vão realizar

by pasmalu

Temos vindo a publicar informações que dão conta, tanto dos elementos do governo de transição, como da parte dos militares golpistas, do interesse em não realizar as eleições de 16 de Março. Para acreditar, só mesmo gente como Ramos-Horta, impreparado, orgulhoso, a querer dar nas vistas, características aliás que sempre evidenciou desde os tempos em que se lutava nas montanhas do então Timor Lorosa’e, agora Timor-Leste, designação que herdou da administração e do mapa colonial.

Ramos-Horta que, diz quem o conheceu nesses tempos de luta, nunca teve uma real importância na estrutura da Resistência Timorense, ao ponto de nem Xanana Gusmão lhe confiar as mensagens que da prisão na Indonésia fazia chegar aos seus homens, utilizando para tal percursos alternativos. Horta sempre se limitou a passear (por Lisboa e pelo Mundo).

O Prémio Nobel deu a Horta a relevância que não tinha, e agora, saído da cena em Timor-Leste, um lugar num qualquer escritório das Nações Unidas vinha a calhar. E calhou-lhe a Guiné-Bissau: em comum, a língua portuguesa e… as gambas, claro!

E começou logo com a baboseira da realização de eleições, desconhecendo as relações étnicas e os condicionalismos locais e climatéricos, bem como a real intenção quer dos militares golpistas, quer dos seus apaniguados colocados num governo dito de transição.

Só Horta, a querer mostrar serviço, talvez na vã esperança de ser o candidato do bloco lusófono ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas, acreditou nelas (eleições). Os militares golpistas, nunca as quiseram! Os seus apaniguados, na presidência e no governo de transição, também não! Eles sabem bem! Só quem está no poder tem acesso aos recursos, e quando estes são parcos, essa vantagem é ainda mais importante.

Daí que não seja de estranhar a diferença de velocidade no recenseamento eleitoral. Aqui evolui muito lentamente. Em Portugal, apesar dos atrasos (para impedir o recenseamento do Cadogo, que acabou por o fazer em Cabo Verde), e com um só kit, o processo vai de vento em popa. Estranho! Ou a equipa que está em Portugal é muito boa e tem de vir à pressa para Bissau fazer o trabalho que falta, ou então esqueceram-se de dizer à equipa para andar devagar… devagarinho!

Não! A razão é outra: nunca houve intenção de realizar eleições. E não se vão realizar! Kumba sempre o soube. Por isso anunciou que não se candidatava, pois nada estava realmente em jogo e não fazia sentido entrar em algo que não se ia concretizar.

A complicar tudo está agora o anúncio pela Beicip-Franlab de que as reservas de petróleo no bloco 5, são maiores do que o esperado. O senhor Ramos Horta acha mesmo que os ditos vão afastar-se do poder antes de congeminarem uma forma de colocar a mão nas chorudas comissões que daí espreitam? Nós não!

Além do mais, eles são peritos em fabricar factos que impeçam a realização de eleições, acrescentamos, de forma livre e justa. Já o fizeram no passado e não estão interessados em ter a possível dupla Carlos Gomes Junior/Domingos Simões Pereira a comandar os destinos do país.

Talvez a invasão do escritório da UNIOGBIS em Buba seja um desses factos. Resta saber as consequências! Haverá surpresas?