Ma kin ku ten terra?

by pasmalu

Ontem à tarde, o bairro de Antula, em Bissau, em que a quase totalidade dos habitantes são balantas, foi cercado e revistado casa a casa. Este, um facto impensável ainda há pouco tempo.

Na realidade, isto vem mostrar a profunda divisão que se faz sentir entre a comunidade balanta e traduz o antagonismo crescente dentro das Forças Armadas guineenses.

O desespero de Indjai está a conduzi-lo a tomar medidas impopulares no seio da sua própria etnia o que vai contribuir para a sua rápida queda.

A CEDEAO está cada vez mais desnorteada, afirmando os seus embaixadores locais que o poder político que instituíram não lhes obedece e que Kumba Yalá diz uma coisa para 10 metros depois fazer precisamente o contrário. Quem mais desesperado anda, é o embaixador do Senegal, que não se coíbe de dizer em círculos privados o desprezo que sente pelos políticos guineenses, em especial os kumbistas e “desempregados” que orbitam à sua volta. Às pessoas de maior confiança chega a aventar a possibilidade do Senegal assumir um controlo “directo” do poder em Bissau.

A máscara do poder caiu e agora assume-se publicamente aquilo para o qual alertámos há muito tempo, isto é, que a intervenção da CEDEAO no nosso País visava-o transformar numa colónia, comprometendo o projecto de Independência e Desenvolvimento de Amílcar Cabral.

A CEDEAO sente que a sua margem de intervenção é cada vez menor, sobretudo agora que a CPLP não a está a antagonizar e que ela não têm um inimigo definido a quem imputar culpas na destabilização total do País, a não ser a si própria.

O facto da selvajaria estar na rua e à solta, contribui para que a comunidade internacional se aperceba que a “SOLUÇÃO CEDEAO” foi um rotundo fracasso (tal como no Mali) e tem os dias contados: a solução vai ter de passar necessariamente pela intervenção directa de outras organizações regionais ou internacionais.