Governo “transitório” reconhece situação preocupante

by pasmalu

A degradação da situação real no País, consubstanciada com uma onda de assaltos em Gabu, é tão, tão evidente, que já nem os “governantes transitórios” conseguem disfarçar o mal-estar. Há uma semanas, ainda os ouvimos apresentar dados contraditórios sobre a campanha do caju, mas confiantes na exportação deste produto. Agora, a realidade: 75 mil toneladas por vender, às quais há a juntar mais 15 mil toneladas de castanha de caju por recolher.

Somente 40 mil toneladas foram exportadas, em contraste com 2011, ano em que foram produzidas mais de 200 mil toneladas, que rendeu aos cofres do Estado qualquer coisa como 100 milhões de dólares. O aumento da produção, na India, Brasil e Costa Rica, levou à queda dos preços no mercado internacional, a tal ponto que “estamos numa situação preocupante”, reconheceu o “transitório” secretário de Estado do Comércio, Braima Alfa Djaló.

Como em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão, o reconhecimento do falhanço do golpe dá-se agora pelos seus apoiantes. O partido União para Mudança propõe que seja criado um novo governo, a ser liderado pelo PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde, como forma de se ultrapassar a crise no país.

Esta formação política sem representação parlamentar fez esta proposta num documento, a Serifo Nhamadjo. Intitulado propostas de solução para os problemas que caracterizam o actual momento político da Guiné-Bissau, o documento faz um diagnóstico do País desde o golpe de Estado de 12 de Abril, alertando para os perigos que o país corre caso não sejam adoptadas medidas urgentes.

A União para Mudança considera que pouco tem sido feito com vista à realização de eleições gerais dentro de 10 meses. Que admiração? Como se isso tivesse alguma vez sido uma intenção dos golpistas?!

O que revela esta iniciativa do partido liderado por Agnelo Regala, antigo porta-voz do defunto presidente Malam Bacai Sanhá, é ao desnorte reinante entre os apoiantes do golpe de 12 de Abril. Com a conferência internacional sobre a Guiné-Bissau no horizonte, e a CEDEAO reduzida à sua real dimensão na comunidade internacional, entre as outras organizações, essas sim determinantes, impera cada vez mais entre eles (golpistas e apoiantes) o receio do seu afastamento concreto de qualquer estrutura de poder.

Fonte: http://www.lesechos.fr/entreprises-secteurs/grande-consommation/actu/afp-00459184-la-guinee-bissau-inquiete-de-la-mevente-de-75-000-tonnes-de-cajou-351254.php