Quem perdeu? Angola!

by pasmalu

Segundo o Think Africa Press, num extenso artigo dedicado à situação na Guiné-Bissau, Angola é o grande perdedor com a situação provocada com o golpe de 12 de Abril. A CEDEAO e os golpistas, na opinião do articulista Bram Posthumus, são até agora os vencedores, apesar do crescente descontentamento da população por um arranjo governativo que muitos vêem como ilegítimo.

No artigo, em que se começa por abordar a presença de forças da CEDEAO no nosso país, mostra-se de forma clara os interesses cruzados em que a Guiné Bissau foi enredada, como sejam as más recordações de Alassane Ouattara, presidente da Costa do Marfim, relativamente ao apoio angolano ao seu oponente deposto, Laurent Gbagbo, e a rivalidade da Nigéria com Angola.

De facto, dizemos nós, a presença da MISSANG em chão guineense podia ter sido aproveitada para provocar brechas na CEDEAO. O valor militar do soldado angolano é tido, pela experiência da longa guerra civil,  como consideravelmente superior ao das forças neo-coloniais que aqui se instalaram, e, por isso, a sua manutenção, “eternizando-se” com a época das chuvas, não deixaria de causar problemas, sobretudo de financiamento aos países da organização oeste-africana.

Angola, não pode entrar em jogos para perder, ou sair de mansinho. País com justas pretensões a potência em África, ainda tem, é certo, um longo caminho a percorrer, e de solucionar alguns problemas. Primeiro, falta-lhe uma marinha forte, assumindo com esta opção pretensões a potência marítima e não somente territorial e regional como agora. A constituição de uma esquadra, se possível integrando um porta-aviões, é de considerar e pode mudar a imagem deste Estado lusófono, pelo poder dissuasor que detém.

Segundo, no plano diplomático, Angola precisa de um “instrumento” que viabilize, legitimando com o reconhecimento internacional, a acção da sua força militar. A CPLP pode ser para os angolanos a organização por excelência para o conseguirem. Talvez por isso tenham feito fortes pressões para se aumentar o seu orçamento. Precisam de avançar… Necessitam de apostar fortemente na criação de uma estrutura militar conjunta entre os países lusófonos que garanta a estabilidade interna de cada um, e os defenda dos riscos externos, contrapondo-se aos interesses de outras organizações regionais ou linguísticas. Quererão os angolanos fazê-lo? Estão dispostos a liderá-la. As questões ficam em aberto. Talvez até à próxima cimeira da CPLP.

Fonte (do artigo citado): http://thinkafricapress.com/guinea-bissau/west-african-shenanigans-around-coup-ecowas-angola-gomes