MENSAGEM DOS AMIGOS DO MALI

by pasmalu

Recebemos pessoalmente, aqui em Bissau, uma mensagem de um colectivo, que junta diversas organizações não governamentais do Mali, em luta contra a situação gerada pelo golpe dirigido por Amadou Haya Sanogo, mas ao que parece, orquestrado, tal como o da Guiné-Bissau, pelos serviços secretos franceses, com o apoio de alguns Estados da CEDEAO.

Deixamo-vos aqui o texto, devidamente traduzido.

VAMOS CONSTRUIR A CEDEAO DOS POVOS

 

No Mali recusamos as forças da CEDEAO, por várias razões:

1. A CEDEAO é um Sindicato dos chefes de Estado da Africa Ocidental

2. A CEDEAO com Allassane Outtara à cabeça é um tentáculo dos chefes de Estado ocidentais, principalmente da França, que não vêm na Africa senão um reservatório de minérios inesgotáveis, um lugar de esvaziamento dos seus produtos que não se vendem nos mercados dos outros países industrializados. Allassane é o guarda costas da França na África Ocidental.

Blaise Camporé, esse famoso e ridículo mediador, não é nada mais do que o homem da França, o animador do mercado negro da França na África para a venda de armas e da droga (não inventamos nada), essas informações encontram-se na net, e aquele que sufoca todas as tentativas dos povos  que querem tomar em mão o seu destino.

3. Em toda a parte onde a CEDEAO interveio, não conseguiu apaziguar a situação, pelo contrário piorou. Foi o caso da Libéria, na Serra Leoa, na Guiné-Bissau e mais recentemente na Costa de Marfim. E sempre foram as forças ocidentais que vêm a galope para instaurar a ordem que lhes convém no plano económico e informativo.

4. No caso específico do Mali, a CEDEAO ignorou as múltiplas intervenções dos bandidos armados no Mali, o Presidente Maliano fez tudo junto dessa mesma CEDEAO para a realização de um encontro regional sobre a situação da segurança no Sahel, mas ele nunca teve apoio dos seus pares africanos, devido à oposição da França.

5. Na crise actual do Mali, o povo do Mali esperava da CEDEAO um apoio logístico para o norte. No lugar desse apoio a CEDEAO propôs uma força para a vigilância das instituições da transição e impõe o direito de fixar a duração da transição e portanto das eleições apesar da divisão do país, deitando abaixo os acordos que eles os Chefes de Estado da CEDEAO, assinaram com os jovens militares. Esta atitude insultante, para o povo maliano, traduz a verdadeira natureza desta organização a saber a defesa dos interesses do seu sindicato. O Mali nesta situação os escapa, por isso eles querem o mais rapidamente possível que o trono do Mali no seio do clube seja rapidamente ocupada; e também para que continuem os patrões da sub-região, a fim de respeitar os seus engajamentos vis a vis dos seus patrões de fora.

A CEDEAO actual é um sindicato dos chefes de Estado, que nunca escutaram o seu povo, eles juntam-se para se defender e se proteger do seu próprio povo dos quais constantemente achincalham a dignidade, isto é uma verdade tanto que o Presidente da Costa do Marfim continua sob a protecção das forças francesas.

No Mali tínhamos entendido que nós os povos da Africa e da sub-região Africa ocidental, temos necessidade de uma organização como a CEDEAO, mas nós queremos uma CEDEAO dos povos, porque esses povos foram deixados por sua conta.

Lutemos para uma CEDEAO dos povos para obrigar os nossos chefes de Estado a se ocuparem dos povos e não dos interesses estrangeiros que oprimem os povos.

A estratégia é a seguinte: informar sobre a verdadeira natureza da CEDEAO e denunciar sem trégua esse Sindicato.

Chamar as populações a não aceitar mais o castigo para que os nossos países não se lancem na violência fratricida.

Ajudar os militares a se porem de acordo para pôr as forças da CEDEAO fora da Guiné-Bissau.

Fazer contactos com o Mali, porque a situação é parecida.

Nosso último conselho: RFI e France 24 são a continuação da dominação. As informações que esses dois médias veiculam são profundamente danosas para uma reflexão e o seu engajamento e para o seu país; o seu impacto psicológico é devastador para as populações e sobretudo durante estes momentos de crise, como é o caso actual. Organizem-se, o número não é importante, é a qualidade e a capacidade intelectual que faz a diferença.

Informem as populações o mais amplamente possível, para que eles saibam fazer parte das coisas.

Façam alianças para ampliar a resistência. Estamos convencidos que vamos ganhar.